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O Caminho dos Grandes: Marcos Leonardo vai ao Ajax. Recalculando Rota?

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Marcos Leonardo vai ao Ajax por 25 milhões de euros. Mas antes de trata-la como mais uma transferência, vale entender o que esse caminho diz sobre o futebol brasileiro, e sobre os jovens que vêm por aí.

O Caminho dos Grandes

O Ajax está na fase final das negociações para contratar Marcos Leonardo junto ao Al-Hilal por cerca de 25 milhões de euros. Contrato encaminhado até junho de 2031. O ML9 está pronto para desfilar em terras Holandesas.

Mas espera, antes de tratá-la como uma transferência normal, vale a pena parar um segundo e refletir, entender o que está realmente acontecendo. Um centroavante brasileiro de 23 anos, acaba de se tornar a terceira contratação mais cara da história do Ajax. Esclarecendo um caminho que está e deve se tornar cada vez mais familiar.

Fuga? Não, Escola!

Existe uma narrativa recorrente sobre brasileiros que vão para Arábia Saudita. Jovens que trocam seu desenvolvimento pelo dinheiro. Escolhendo a conta bancária em vez da carreira. Que se perderam no deserto, antes mesmo de chegar ao topo.

Marcos Leonardo busca contradizer e confrontar todos que disseram isso.

Quando foi pro Al-Hilal em 2024, a narrativa dominante foi a do talento desperdiçado. Jovem, prometedor, optando pelo petrodólar antes de se firmar na Europa. Parecia o roteiro de quem abria mão do sonho por conforto.

ML9 já era capaz de confrontar os comentários através de seus números, em duas temporadas no futebol saudita, 82 partidas, 48 gols e 5 assistências, agora com a sua transferência para o futebol europeu, ele pretende fechar o caixão de vez. Além dos números, também teve a experiência de jogar com regularidade, ser titular, e de sentir o peso da responsabilidade de jogar por um dos maiores times da Arábia. No Al-Hilal, não era promessa, era peça, e isso faz uma enorme diferença na formação de qualquer jovem.

A Copa do Mundo de Clubes de 2025 deu o argumento final. Como todos lembram, em um jogo histórico, Al-Hilal eliminou o poderoso Manchester City nas oitavas de final, com o mundo inteiro vendo, quem estava lá? Ele mesmo, Marcos Leonardo, liderando o ataque saudita, confirmando o que dois anos de Arábia construíram: um jogador confiante, pronto para Europa, de uma forma que talvez não fosse possível antes dessa passagem.

Marcos Leonardo volta à Europa com mais conhecimento, mais maduro e com mais sede!

Marcos Leonardo celebra pelo Al-Hilal. Foto: @marcosleonardo9

O Contraste que Explica Tudo!

Vamos aos exemplos… Pegue Ângelo Gabriel, revelado pelo Santos, estreou com 15 anos, bateu recordes históricos na Libertadores, especulado no Flamengo, se tornando um dos meninos mais badalados do Brasil em 2021. Em julho de 2023, assinou com o Chelsea por aproximadamente  £13 milhões e foi de forma quase imediata, emprestado ao Strasbourg, da França. E bato nessa tecla, o problema de Ângelo não é talento, é o caminho. Se transferiu muito cedo para um clube grande demais, que não tem bom histórico com jovens e passou seus primeiros anos tentando encontrar regularidade em um sistema de empréstimos, o afastando da constância de que um jogador jovem necessita.

Mas a história de Ângelo está mudando, coincidência? Na temporada 2025/26 pelo Al-Nassr, foram 20 gols em 40 jogos, com título do Campeonato Saudita. Jorge Jesus foi responsável pela evolução do jogador. Ângelo recentemente disse: “hoje sou um novo jogador.” Ele usou a Arábia do jeito certo, e agora está no mesmo cruzamento que Marcos Leonardo estava: pronto para o salto de volta pra Europa?

Será que esse é o caminho?

A pergunta que essa transferência coloca é direta: os próximos jovens talentos que saírem do Brasil vão entender o que Marcos Leonardo entendeu?

Gabriel Carvalho saiu do Internacional pro Al-Qadisiya da Arábia Saudita. A rota é parecida, a questão é o que ele vai fazer com ela. Se usar a Arábia como Marcos Leonardo usou o Al-Hilal, vai voltar pro mercado europeu mais caro e mais pronto. Se acomodar, sentar no contrato, a história é outra.

Não existe um caminho único. Existe o caminho certo para cada perfil, para cada momento, para cada jogador. O que Marcos Leonardo provou é que a Arábia pode ser parte desse caminho, desde que seja etapa, não destino.

A questão nunca foi evitar o desvio.

Foi saber quando voltar.

Enganche | O Jogo Visto por Dentro

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