História

Bob Marley e o Futebol: A Paixão Que Ninguém Te Contou

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Bob Marley era músico, ícone, profeta, e um dos maiores nomes da história da música popular. Mas há uma faceta de Marley que raramente aparece nas biografias: antes de qualquer show, qualquer gravação, qualquer entrevista, ele chutava bola. O futebol não era hobby. Era rotina, era ritual, era parte da mesma filosofia que atravessava sua música. E foi numa partida, em Paris, que tudo começou a mudar. A história da paixão escondida de um dos maiores artistas do século XX, e como o futebol moldou sua vida e, talvez, encurtado sua morte.

Antes da Música Veio o Futebol!

Bob Marley é mundialmente conhecido pelas suas músicas, ideologias, dreads e filosofia rastafari, mas antes de se tornar tudo isso, era um belo fanático e amante do futebol.

Não era pose, não era entretenimento, Marley tratava o futebol como rotina.

O Campo como Ritual

Independente do local, Bob Marley não viajava sem uma bola. Era ritual, rotineiro, cerimonial, antes do show Marley jogava, depois do show, Marley jogava. Nos intervalos de gravações, estacionamento do estúdio, na varanda do hotel. A bola era tão importante em sua vida como o microfone.

Chris Blackwell, fundador da Island Records e produtor de Bob Marley, disse uma vez que era impossível marcar reuniões de manhã cedo porque Bob estaria em campo.

Seu Amor pelo Brasil

Bob Marley tinha uma obsessão específica: o futebol brasileiro. Não era à toa, a ginga brasileira, a improvisação e a alegria, tinham tudo em comum com o reggae. Ambos eram resistência com ritmo.

Marley, sempre que podia, assistia aos jogos do Brasil e falava com o mesmo entusiasmo com que falava de Marcus Garvey. Marley enxergava o futebol e a música de formas iguais, ambos exalavam cultura, identidade e liberdade.

A Lesão que Mudou TUDO

Em 1977, durante uma partida de futebol em Paris, Bob Marley sofreu uma pancada no dedão do pé direito. A ferida não cicatrizava, e após intervenção médica, eles identificaram uma melanoma acral, um tipo de câncer de pele que se desenvovleu sob a unha.

A recomendação dos médicos era a amputação do dedo. Marley recusou, sua fé rastáfari não permitia que o corpo fosse mutilado, consequentemente, fez um tratamento alternativo, e continuou tocando, gravando e vivendo.

O câncer se espalhou. Em 1981, aos 36 anos, Bob Marley morreu.

Uma pancada. Uma recusa. Uma vida interrompida.

Bob Marley na Nova Zelândia, 1979 - Foto: Bill Fairs / Unsplash

O jogador que virou lenda

Quem jogou com Marley descreve a mesma coisa: ele era bom. Não era craque, mas tinha habilidade de verdade, gostava de driblar, era competitivo. Alan "Skill" Cole, um dos melhores jogadores jamaicanos da história e grande amigo de Marley, era seu parceiro de campo constante. Cole disse que Marley "vivia para o futebol tanto quanto vivia para a música."

Não é metáfora. É literalmente o que aconteceu.

O legado que continua

Hoje, o nome de Bob Marley está associado a um dos maiores projetos de futebol da Jamaica. A família Marley é co-proprietária do Jamaica national football team's commercial rights e investe no desenvolvimento do futebol no país. Seus filhos e netos carregam essa herança.

E toda vez que a Jamaica entra em campo com aquela camisa amarela e verde, tem um pouco de Bob ali. Não na música que toca no estádio. No próprio ato de jogar.

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